Nas escolas acontecem, diariamente, situações conflituosas envolvendo alunos, pais de alunos, professores e funcionários. Muitos desses problemas acabam em discussões, brigas com instrumentos cortantes ou até armas de fogo, que terminam, algumas vezes, em morte. Na maioria dos casos verifica-se a intolerância, seja por causa de um apelido, namoro acabado, xingamento, ameaça, segredo revelado, preconceito, bullying, furto, inveja, entre outros. Essas situações contradizem a função da escola e demonstram a fragilidade do sistema educacional em curso.
Como resposta, a cada dia os regimentos escolares são construídos com base nesses acontecimentos, a fim de combatê-los com medidas coercitivas, respaldadas pela comunidade escolar e seus representantes. Tudo parece simples e o ato de cometer infrações tem penas que variam, a depender da gravidade do fato, em advertência (oral ou escrita), suspensão ou expulsão. E o aluno envolvido ou o grupo e alunos serão penalizados e voltam a estudar em outras escolas.
Tudo isso seria um absurdo se a sociedade desse bons exemplos. Diante da corrupção, dos contrabandos, dos escândalos políticos, da violência doméstica e urbana, dos latrocínios, dos crimes hediondos sem solução, do policiamento falido e tanta impunidade, a juventude perdeu a credibilidade no Estado e cresce assistindo a tudo na televisão e sem censura. Como orientar essa juventude, se dentro de sua própria casa convive com a imoralidade, alcoolismo, drogas, violência moral e sexual? Tem violência pra todo lado e impunidade também.
Quando acontece um crime como o “Massacre no Realengo”, todos se perguntam por quê? O que se passava na cabeça desse jovem? Que motivos o levaram a cometer tamanha barbaridade? E aí nos lembramos de outros, como o crime contra Isabela Nardoni, ou da Procuradora de Justiça aposentada que espancava uma criança de 2 anos, ou ainda a chacina da candelária, ou aquele caso assustador de uma garota de 9 anos encontrada morta dentro de uma mala e tantos outros crimes bárbaros inexplicáveis. Crimes que independem do laço familiar ou da formação acadêmica ou ainda da profissão exercida, revelando que o instinto prevalece em nossa sociedade.
Observa-se que a situação nas escolas públicas brasileiras é de total insegurança, não por falta de policiamento, porque lugar de polícia não é dentro da escola, como disse um dos sargentos em entrevista, “pois se tivesse um policial na escola no momento do massacre também teria sido morto”, afirmou o Sargento Alves, considerado herói pela população local, por ter impedido o rapaz de continuar atirando nas crianças.
Na Bahia, poderíamos citar centenas de casos de violência nas escolas nos últimos anos. Em Vitória da Conquista, um estudante, de 19 anos, levou oito tiros no ano passado. No mês passado, um estudante do Colégio Estadual José de Sá Nunes, foi morto no passeio da escola. São constantes os casos de ameaça, violência física e moral nas escolas públicas, e conviver com a insegurança é, no mínimo, angustiante para a comunidade. Então, qual seria a solução para a violência na escola?
Enquanto não se encontra uma resposta definitiva, o Estado deveria ser mais ágil que burocrático e aplicar mais recursos nas escolas em infraestrutura e pessoal qualificado. O investimento em segurança é essencial no sentido de viabilizar estrutura, tecnologias e pessoal qualificado, garantindo que o profissional atue em sua área, com as atribuições de sua competência, sem acúmulo de funções e melhores salários.
Enquanto não se encontra uma resposta definitiva, o Estado deveria ser mais ágil que burocrático e aplicar mais recursos nas escolas em infraestrutura e pessoal qualificado. O investimento em segurança é essencial no sentido de viabilizar estrutura, tecnologias e pessoal qualificado, garantindo que o profissional atue em sua área, com as atribuições de sua competência, sem acúmulo de funções e melhores salários.
Na verdade, faltam funcionários nas escolas. É comum o porteiro varrer o pátio enquanto olha a entrada do colégio e orienta o estacionamento dos carros; a cozinheira lavar o banheiro enquanto o mingau cozinha; o vice-diretor reproduzir material didático, enquanto o sinal não toca; a diretora atender na secretaria, enquanto imprime o pedido de licitação e verifica o último projeto enviado pelos professores; a secretária escolar ir à Secretaria de Educação levar os ofícios da Direção solicitando soluções para resolver o problema da cantina, enquanto verifica a lista de compras da escola; o professor abordar o aluno em sala por porte ilegal de armas enquanto grampeia as atividades escolares e revisa o assunto; a biblioteca não existe ou não funciona por falta de funcionário; o setor de informática está defasado, os equipamentos pedagógicos estragados, o banheiro entupido e por aí vai. E com o acúmulo de funções o Projeto Político Pedagógico fica comprometido, e a escola continuará funcionando precariamente.
O que será preciso acontecer mais, para que essa situação mude? Será mesmo que os representantes do povo não constataram isso? Profissionais da educação estressados por acúmulo de funções, famílias desesperadas sem saber se o filho voltará vivo para casa, sociedade em pânico porque o descaso continua.
Lorena Gusmão Di Lauro
Professora da Rede Estadual de Vitória da Conquista-Bahia.
(É um desabafo... É que é revoltante a nossa situação enquanto educador.)
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