Quando falamos ou escrevemos produzimos
sentidos. Uma espécie de dependência entre linguagem
e pensamento que forma uma unidade significativa. Nesse caso é
impossível pensar um sem o outro. O pensamento só se manifesta através da
linguagem (inclusive a não verbal como os gestos, as cores, as imagens) e a linguagem
só se manifesta pelo pensamento. Pode-se afirmar que a linguagem é o próprio
pensamento em ação. Ou ainda, o pensamento só se materializa na
linguagem.
É importante, portanto, notar que o esforço para a produção dos sentidos ocorre
em virtude de os homens desejarem estabelecer cadeias comunicativas,
seja para informar, convencer, emocionar, seja para explicar, determinar,
aconselhar. Mas, para que isso acontecesse,
foi necessário a criação de línguas que expressassem maneiras
particulares de conceber os significados, as formas de uso, os
mecanismos de elaboração do universo das palavras.
Em nosso caso, o código comum é a língua portuguesa:
graças a ela, produzimos os efeitos do sentido. No entanto, não se
deve considerar o código comum como uma referencia padrão que se
mantém inalterada. Ao contrário, a língua possui variabilidade, usos
diferenciados conforme a situação cultural, econômica, etária, e
regional do usuário.
Para se comunicar o falante não precisa necessariamente
dominar as regras da gramática escolar. No entanto, ele utiliza (mesmo
sem ter consciência disso) uma “gramática natural”, que admite a
construção me dá um cigarro, mas não admite, por exemplo, a
construção me cigarro um dá. Ou seja, essa gramática natural possui
um sistema de regras que formam a estrutura da língua, e que os
falantes interiorizam ouvindo e falando. (Celso P. Luft, in Língua e
liberdade)
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